quinta-feira, 14 de maio de 2009

ORIENTE MÉDIO

SANGUE QUENTE
Vinte anos após o fim da Guerra Fria, zonas de conflitos persistem e espalham terror e morte por três continentes. Há duas décadas, a queda do Muro de Berlim sinalizava o fim da Guerra Fria, rivalidade entre os blocos liderados pelos Estados Unidos e pela União Soviética, que alimentava a tensão geopolítica global e dava combustível para os negócios da indústria armamentista. Mas, diferentemente do especulado, diversas partes do globo, continuam sendo cenários de guerras, e os fabricantes de armas prosseguem comemorando bons negócios.
Em 2007 cresceu o número de conflitos no mundo e os gastos militares subiram 6% em relação ao ano anterior. Desde 1998, as despesas mundiais com armamento militar aumentaram 45%. Os Estados Unidos foram responsáveis por quase metade (45%) desse total. Em 2007 o país gastou 547 milhões de dólares em armas, a maior quantia desde a II Guerra Mundial. A Índia e a China também ampliaram bastante seus gastos militares no último período. Entre 2003 e 2007, os países desenvolvidos como EUA, Reino Unido, Federação Russa, foram os maiores vendedores de armas, enquanto nações em desenvolvimento como China, Índia, Emirados Árabes Unidos, Coréia do Sul e Grécia, se tornaram os maiores compradores. As 100 maiores empresas armamentistas do planeta faturaram 315 milhões de dólares em 2006. A produção é fortemente concentrada: entre essas 100 companhias, 41 são dos Estados Unidos, e sua atividade é um dos pilares da economia do país.
O número de ataques terroristas também aumentou. Relatório do governo norte-americano mostra que em 2007 houve 14.499 atentados terroristas pelo mundo que resultaram em 22.685 mortes. Somente no Iraque foram mais de 6 mil ataques quase o dobro do registrado dois anos antes. Um dos fatores de renascimento das disputas étnicas é o fim do bloco soviético, no qual as aspirações nacionais de vários povos eram até sufocadas por um poder central forte. Nos 15 paises que surgem (Federação Russa, Cazaquistão, Ucrânia etc), diversos grupos levantaram a bandeira da independência, como ocorre na Chechênia, que luta para se libertar do Estado russo. No caso da guerra entre Federação Russa e a Geórgia, em 2008, o motivo é a declaração de independência da região da Ossétia do Sul em relação ao Estado georgiano, que recebe apoio dos russos (interessados em reforçar sua influência direta na região).
Com freqüência, conflitos étnicos estão vinculados a questões econômicas, como ocorre na África. Outros têm como pano de fundo o fortalecimento de grupos fundamentalistas. Esses movimentos que existem em diferentes religiões, buscam nos textos considerados sagrados a base para a organização da vida social e política. Exemplos são as atividades de facções fundamentalistas islâmicas em paises no centro-norte da África (Argélia, Sudão), no Oriente Médio (Líbano, Israel, Iraque) e na Ásia Central (Afeganistão). Entre os conflitos do mundo moderno, um dos mais prolongados é o que envolve israelenses e palestinos, em torno da existência do Estado de Israel, proclamado em 1948. Na última semana de 2008, o ataque israelense aos palestinos na Faixa de Gaza ganhou as manchetes de jornais no mundo todo. Em 27 de dezembro, Israel iniciou uma operação militar na área, densamente habitada por palestinos, sob a justificativa de dar um fim aos disparos de foguetes contra seu território, atribuídos ao movimento islâmico fundamentalista Hamas. Os foguetes causaram prejuízos, deixando alguns feridos. O ataque não foi surpresa porque, alguns dias antes, a trégua de seis meses com Israel havia sido rompida oficialmente pelo Hamas. O grupo alegou que os israelenses mantiveram, durante esse período, o bloqueio á Faixa de Gaza, impedindo a entrada ou saída de pessoas e mercadorias. Segundo a ONU, a situação provocou uma grave crise humanitária na Faixa de Gaza, devido à falta de alimentos, medicamentos e outros gêneros de primeira necessidade.
Os palestinos constituem o maior contingente de refugiados do mundo. Segundo a ONU, são 4,6 milhões de pessoas sem um território reconhecido como Estado. Atualmente, cerca de 1,5 milhão de palestinos espremem-se na Faixa de Gaza, uma faixa de 45 Km de comprimento e 10 Km de largura, com uma das maiores densidades populacionais do planeta e grande índice de pobreza – a maioria de seus moradores vive com menos de 2 dólares ao dia. Não há à vista uma paz duradoura na região. Além das grandes diferenças de pontos de vista entre o governo israelense, o presidente da Autoridade Nacional da Palestina (ANP), Abbas, e o Hamas, há os refugiados palestinos, que anseiam recuperar suas terras, na área em que fica Israel. Os israelenses não aceitam conversar sobre a volta dos refugiados a seu território.

Fonte: Revista Atualidades, 1º semestre 2009. Editora Abril, 2009.

ENTENDA A CRISE

ENTENDA A CRISE
Por Paulo Zocchi e Frances Jones
Iniciada nos EUA, turbulência se espalha, causando prejuízos, recessão e desemprego.
Trilhões de dólares de dinheiro público foram usados para salvar bancos e empresas. Até o futebol sentiu: no fim de 2008, poucos jogadores brasileiros de ponta forma vendidos à Europa, pois o dinheiro lá também ficou mais curto. Na atual época,da globalização, há uma interligação entre as economias de todas as nações, os capitais se movem em grande velocidade, bancos e empresas se associam e se fundem em diferentes países e continentes, e uma crise iniciada nos Estados Unidos, a economia mais poderosa do planeta – responsável por cerca de um quarto de tudo que é produzido no mundo – afeta todos os mercados em questão de horas. Não é fácil entender tudo, mas isso ocorre porque o mercado financeiro, que movimenta centenas de trilhões de dólares por ano, é de fato muito complicado.
2001. O Banco Central dos EUA baixou os juros a partir de 2001, o primeiro ano do governo de Bush, justamente para estimular a economia, incentivando a expansão da produção e do consumo. Com a queda dos juros, que pesam bastante em financiamentos de longo prazo, começaram a ser concedidos muitos empréstimos para a compra de casas a pessoas com menos poder aquisitivo – os clientes classificados de “subprime”. Isso impulsionou a expansão no país da construção civil e do mercado imobiliário. Durante o período em que os juros ficaram baixos, esse mecanismo funcionou bem. Isso ocorreu de 2001 a 2004, com a taxa de juros norte-americana variando num patamar baixo, entre 1,75% e 1% ao ano.
2002 /2003. Os empréstimos imobiliários foram se multiplicando e atingindo grande volume financeiro. Com as prestações sendo pagas, a cada mês, essas operações se tornaram bastante lucrativas para bancos e empresas de créditos imobiliários. Com a ampliação dos crédito imobiliário, cresceu a procura –em linguagem econômica: aumentou a demanda – por casas e apartamentos, fazendo com que os imóveis se valorizassem. As aplicações na construção civil também se tornaram um ótimo negócio para investidores, atraindo capitais do mundo todo e ajudando a movimentar o mercado norte-americano.
2004. A economia norte-americana passa a registrar sinais de inflação.Umas das fontes da inflação é o endividamento vertiginoso do Estado norte-americano, graças, sobretudo, ao corte nos impostos das rendas mais altas – que havia sido feito pelo presidente Bush para impulsionar a economia - e os gastos astronômicos de 2001, principalmente com o envio de tropas ao Afeganistão (a partir de 2001) e ao Iraque (2003). Para combater a inflação, o Fed começou a elevar a taxa básica de juros a partir de outubro de 2004. Uma das conseqüências da subida dos juros, porém, é que o valor das prestações dos empréstimos imobiliários passou a subir cada vez mais para o cidadão comum.
2006/2007. Entre junho de 2006 e agosto de 2007, a taxa de juros ficou em 5,25% ao ano, até cinco vezes maior que a do período anterior. Com as prestações mais caras, uma parte crescente dos compradores não conseguiu mais pagá-las. Assim, os bancos começaram a tomar de volta judicialmente os imóveis de quem parou de pagá-las, promovendo despejos dramáticos por todo o país e recolocando casas e apartamentos à venda. O aumento súbito da oferta, somado ao encarecimento dos empréstimos, derrubou o preço dos imóveis. Como muitos empréstimos deixaram de ser pagos, e o valor dos imóveis dados como garantia despencou, os títulos com base nos empréstimos perderam valor rapidamente, causando grandes prejuízos a bancos e a empresas imobiliárias.
2008. O estopim da atual faze da crise ocorreu em 15 de novembro de 2008, com a queda do quarto maior banco de investimentos norte-americano, o Lehman Brothers – instituição tradicional, com 158 anos, que havia investido fortemente em títulos ligados aos empréstimos “subprime”. Em cerca de um ano, o valor de suas ações já havia despencado 95%. A quebra do Lehman- que não recebeu ajuda estatal – afetou diretamente outros bancos, fundos de pensão e empresas ligadas a ele nos EUA e no exterior. Mas amplamente abalou todo o mercado mundial, pois havia o medo de que outros bancos tivessem o mesmo destino. O mercado de empréstimos em dólar parou totalmente. Diante dos riscos ao mercado financeiro global – que, para funcionar, depende da credibilidade para que os compromissos sejam cumpridos- os governos da principais potências decidiram intervir de forma inédita, colocando trilhões de dólares de dinheiro público para auxiliar maciçamente as empresas em dificuldades. Ao injetarem dinheiro nas instituições, para que possam reembolsar parte de seus clientes e pagar suas dívidas mais urgentes, os governos tentam evitar uma maré de empresas quebradas.
Fonte: Revista Atualidades, 1º semestre 2009.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

OS CAMINHOS DA ÍNDIA

OS CAMINHOS DA ÍNDIA.
Por Denise Odorissi.

Assentada em uma cultura tradicional e reverenciada por ser o berço do hinduísmo e do budismo, a Índia do século XXI surpreende ao avançar em muitos outros domínios. Avança a excelência na indústria farmacêutica, nos setores de fibras ópticas, satélites e informática- chegando a liderar a exportação mundial de softwares – e ostenta uma exuberante produção cinematográfica em sua Bollywood, num trocadilho com a rival norte-americana Hollywood. Com quase 1,2 bilhão de habitantes, a Índia abriga a segunda maior população do planeta, depois da China. Sua condição de potência nuclear, associada aos graves conflitos internos e externos- em especial com o Paquistão – é outro motivo para que o país ocupe um espaço privilegiado no tabuleiro geopolítico mundial. O território indiano ocupa a maior parte de uma vasta planície que, isolada do restante da Ásia pela cordilheira do Himalaia, forma o Subcontinente Indiano, de solo fértil e muitos recursos minerais. O rio Ganges, considerado sagrado pelos hindus, fornece ao país a água para uma forte produção agrícola.
O domínio da região pelo Império Britânico teve inicio em 1690, com a fundação de Calcutá, mas só se consolidou após 1763, ao final de uma guerra com a França. Em 1857, o território hoje pertencente ao Paquistão também foi incorporado às possessões britânicas. Durante o século XIX, várias rebeliões anticolonialistas foram sufocadas pelos ingleses. Em 1885, uma elite nativa de educação ocidental formou o Partido do Congresso, dominante até hoje. Vinte anos depois, o líder mulçumano Muhammad Ali Jinnah fundou a Liga Mulçumana do Paquistão (PML), que loso se aliou aos nacionalistas hindus na luta pela libertação da Coroa britânica. Em 1920 ocorreram os primeiros choques entre a Liga e as comunidades hindus, que compõem a maioria étnica e religiosa na Índia. Como reação ao crescimento das lutas pela independência, o império britânico estimulou os embates entre hindus e mulçumanos. Na época, o PML passou a lutar pela constituição de um Estado mulçumano separada da Índia. Por fim, em 1947, quando os britânicos foram obrigados a deixar o Subcontinente Indiano, encerrando sua dominação, eles decidiram aprovar sua divisão, por critérios religiosos, em dois Estados independentes – a Índia (com maioria de população hindu) e o Paquistão (com maioria mulçumana). Como era esperado, a partilha com base na religião resultou no deslocamento forçado e gigantesco de 10 milhões de pessoas em direções opostas da nova fronteira e amplificou os choques entre hindus e mulçumanos, causando a morte de pelo menos 1 milhão de habitantes. A contragosto, Gandhi acabou aceitando a divisão do país e, sob esse pretexto, foi assassinado por um fundamentalista hindu, em 1948.
Disputa pela Caxemira. Parte do norte da Índia e do noroeste do Paquistão, a Caxemira é disputada desde a independência pelos dois paises. Os conflitos já deixaram milhares de mortos. O território tem maioria muçulmana. O governo indiano acusa o governo vizinho de treinar e amar os guerrilheiros que agem na região. A disputa acirrou-se a partir dos anos 1950, em razão da política da Guerra Fria, quando a Índia ganhou o apoio da União Soviética e o Paquistão dos Estados Unidos. Em 1974, a Índia explodiu sua primeira bomba atômica, feito que o Paquistão só iria igualar 25 anos depois.
Pobreza. Em rápida ascensão econômica, a Índia se destaca como um dos principais países emergentes. Porém, tem péssimos índices sociais. Quase da metade das crianças não é vacinada contra o sarampo, e o analfabetismo ainda atinge 35% dos indianos. Seu IDH, divulgado em 2008, coloca a Índia no 132º lugar, entre os 179 paises pesquisados. Atualmente, a nação tem na Presidência uma mulher, Pratibla Patil, eleita em 2007, a primeira a ocupar esse cargo na história do país. Como o regime indiano é parlamentarista, o chefe de governo é o primeiro ministro Manmohan Singh – ambos do tradicional Partido do Congresso. A china sonha grande. Busca lugar de destaque no cenário internacional: ao lado de Brasil, Japão e Alemanha, integra o G-4, que pleiteia um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. Mas, para chegar bem ao futuro, será preciso superar o abismo que separa as centenas de milhões de miseráveis dos que têm acesso à boa educação e um bom padrão de vida. A Índia não é o único país a enfrentar um desafio desse tipo.
Fonte: Revista Atualidades, 1º Semestre 2009. Editora Abril, 2009.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

SEMANA SANTA

SEMANA SANTA
“Vão e preparem tudo para comermos a Páscoa”
(Lucas 22, 8).
* Eraldo Amorim
Depois de longo período de preparação, de expectativa e de reflexão em torno da Campanha da Fraternidade, chegamos a Semana Santa com um grande desafio: resgatar o seu significado maior, e transformá-la em dias de oração, nos remetendo àquela Páscoa em que o Filho de Deus encarnado percorre o caminho da cruz até o túmulo vazio, domingo da Ressurreição.
Na Semana Santa, conhecida também como Semana Maior, contemplamos a cruz que sustenta em seus braços o próprio Deus feito homem, que devido a sua condição humana, a sua missão profética e a sua obediência ao Pai incomodou poderosos do seu tempo, falou das coisas verdadeiras, iluminou a sociedade com sua luz e derrubou tabus que excluía. Veio nos oferecer sua Paz, e por isso morreu de forma tão violenta. Nossas atitudes o mataram, nossos pecados o fizeram sofrer.
Antes de chegar à glória, teve que passar pela cruz. ”Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado”. Linguagem difícil de compreensão em tempos da Teologia da Prosperidade, onde se promete estabilidade financeira, vitória fácil e uma vida sem problemas, só de vitórias. Negar ou esconder a cruz é impedir que a manifestação plena da missão de Jesus se revele. Pois sua vida foi de cruz e de glória ao mesmo tempo. Reflitamos, portanto, os aspectos centrais da Semana Santa.
Desde o período muito cedo de sua história a Igreja celebra os últimos dias de Jesus na terra atualizando o seu sofrimento, sua paixão, seu martírio na cruz até a glória da Ressurreição. A Semana Santa começa no Domingo de Ramos onde celebramos a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém. O Mestre aclamado pelo povo como rei, caminha para o calvário sete dias depois. O povo que grita “Hosana! Salve! Bendito o que vem em nome do Senhor” é o mesmo que na sexta-feira manobrados pelos poderosos fariseus exclama “crucifica-o!”. O povo espera um Messias poderoso, forte e que com armas em punho derruba o sistema opressor. Jesus frustra a todos com sua atitude pacifica. Montando num jumentinho ele traz um novo messianismo. Vencer a estrutura pecaminosa com misericórdia e amor.
O Tríduo Santo começa na Quinta-feira, onde fazemos memória daquela ceia derradeira em que o Mestre se abaixa diante dos pés calejados e sujos dos discípulos para lavá-los, num gesto de extrema humildade e de serviço. “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13, 15). Para nós ali estava sendo celebrada a primeira missa, e sendo instituída a Eucaristia e o sacramento da Ordem. Jesus ainda vestido com o manto do serviço (avental), é levado a julgamento diante dos sacerdotes, do sinédrio, de Herodes e de Pôncio Pilatos.
Açoitado, corpo machucado e banhado de sangue revela a situação da humanidade. “Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos: passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele” (Is 52, 2-3). Contemplar Jesus crucificado é perceber o quanto somos fracos, pecadores e limitados. Jesus foi vítima da violência gananciosa das autoridades políticas e sacerdotais do seu tempo. Ele sofreu injustamente e sua paixão se prolonga ainda hoje nos sofridos deste mundo, nos excluídos do sistema econômico que oprime, mata e destruí os mais vulneráveis. O fato é que Jesus ainda hoje continua morrendo, suas chagas ainda se abrem em cada ser humano vitima da violência, das armas de fogo, dos acidentes de trânsito, em cada pessoa que morre sem assistência médica, vítima de um sistema de saúde falido.
Mas tudo esse sofrimento e sinais de morte não prevalecem até o fim. O rumo definitivo é o Sábado Santo, onde o canto do “exulte” rompe as trevas da nossa existência e ilumina com sua luz, a nossa condição miserável para nos introduzir novamente ao paraíso antes perdido e hoje desejado. “Ó noite em que Jesus rompeu o inferno, ao ressurgir da morte vencedor (...) Ó pecado de Adão indispensável, pois o Cristo o dissolve em seu amor”. A Vigília Pascal, é a “mãe de todas as vigílias”, celebrada sempre à noite, tem um significado todo especial.
O Ciclo Pascal se estende por cinquenta dias até a festa de Pentecostes. O Círio Pascal aceso em local de destaque nos remete à coluna de fogo que conduziu o povo pelo deserto até a libertação até a terra prometida e ao Cristo Ressuscitado e Vencedor.
Entretanto, bem sabemos que a Semana Santa vem sendo transformada em mais um evento em favor do comércio dos ovos de chocolate, do coelhinho dos presentes, dos vinhos caros e do bacalhau, sendo para muitos um simples “Feriadão”. Porém, cultivemos o espírito desta semana com o propósito de renovar em nós o significado maior da nossa existência e da nossa fé.
Com Maria, Nossa Senhora das Dores, percorramos o caminho da cruz e do martírio até chegar ao jardim da reconciliação, onde seremos interpelados: “Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). Deixemos que a esperança tome conta de nós e que dissipe todo medo e angústia e que transforme a nossa realidade de dor e de pecado em luz e salvação.

* Teólogo, Geógrafo e Professor.

Campina Grande- PB
30 de março de 2009.

segunda-feira, 16 de março de 2009

IGREJA, EXCOMUNHÃO E MISERICÓRDIA

IGREJA , EXCOMUNHÃO E MISERICÓRDIA.
* Eraldo Amorim
Decidi aceitar o desafio de escrever sobre um assunto bastante delicado como este. Impulsionado por alguns artigos que li e por e-mails que recebi após os rumores de que o arcebispo de Olinda/Recife, teria excomungado a mãe e a equipe médica por permitir, amparados pela lei, de promover o aborto de gêmeos numa menina de nove anos, e que de maneira trágica teria sido violentada sexualmente pelo próprio padrasto, e por motivos biológicos poderia não levar a gravidez ao fim, podendo até morrer. O resto todos nós já sabemos. Este fato após repercutir mundialmente, o Vaticano e a CNBB se pronunciaram a favor de D. José Cardoso Sobrinho, “queimado” pela imprensa como sendo um arcebispo conservador, defensor doutrinário do Papa Bento XVI. Mas Houve uma reviravolta no caso. O presidente da Academia Pontifícia para a Vida, o arcebispo Rino Fisichella escreveu um artigo onde criticou a excomunhão. Falou-se em perdão, inclusão e misericórdia.
A palavra “Excomunhão” quer dizer fora da comum união (ex=fora), ou seja, é declarado excomungado aquela pessoa que não esteja de acordo com os princípios doutrinários da comunidade cristã. É bom deixar bem claro que a excomunhão é uma realidade que vem desde o inicio da Igreja (Mt 18, 15- 20; 1 Cor 5). Era a punição mais rígida que se poderia receber. Na Idade Média a excomunhão, por contexto histórico, foi muito aplicada para combater heresias, cismas, apostasia e até ataques a reis, príncipes e gente do clero. Como último recurso, o excomungado era imposto à fogueira da inquisição, pois só queimando o corpo teria a chance de purificar a alma.
A instituição católica tem a excomunhão ainda como forma de corrigir um eventual erro que venha atingir a integridade da religião e a dignidade da pessoa humana. Quando se pensa em excomunhão, é para o bem da própria pessoa, que uma vez não agindo conforme a doutrina do evangelho, e não atingindo o arrependimento necessário e permanecendo no erro pode ser condenada ao suplicio eterno (1 Cor 11, 27- 30). Excomungar é deixar a pessoa livre da doutrina, agindo conforme a sua consciência e não sob a doutrina cristã. Entretanto, excomunhão não é sinônimo de condenação, mas sim uma oportunidade para o arrependimento e consequentemente uma reabilitação na comunidade.
Esta é uma maneira de correção não entendida e não aceita pela modernidade secularizada e que só exige da Igreja atitudes que reforce a liberdade humana, sem compromisso, como se fosse tudo permitido. Na realidade busca-se vantagem em tudo, até da Igreja. Muitos de nós esperamos dela os sacramentos, celebrações pomposas, almejamos a Tradição pela tradição, desejamos adquirir status sociais, mas na hora de defender ou de viver a doutrina a acusamos de retrógrada, medieval, injusta e perversa. Ou seja, muitos só são católicos em busca da promoção pessoal e social, criando uma espiritualidade individualista e egoísta.
Por outro lado, não estamos mais na Idade Média, e a Igreja com seus dirigentes são suficientemente inteligentes para ter plena consciência disso. Os tempos mudaram e a teologia também se desenvolveu. Sendo a Igreja uma instituição de dois mil anos, tem o direito de expor a sua opinião sobre qualquer fato ou assunto. Mas no caso específico da menina de Pernambuco, a excomunhão foi totalmente contestada por se tratar de questão de vida ou de morte da infante. Grande desafio para a Igreja, que saiu em defesa das duas vidas que ainda iriam nascer sem olhar para a criança que já tem nove anos, e que tem como principio “os fins não justificam os meios”. Fato bastante delicado e que requer cautela e muito discernimento.
Em meio a grande polêmica que se formou, apelou-se para a misericórdia. É tempo da misericórdia, da graça e do diálogo (Lc 6, 36 – 38; Mt 12, 31; 2 Cor 2, 5 – 8). É missão da Igreja, testemunhar o amor infinito de Deus, e não espalhar medo e excluir aqueles que erram. Mas é também missão da Igreja defender a vida não importando as circunstâncias. Eis que o impasse está formado, a questão teológica continua. Quem poderá dizer como será o desenrolar desta questão? Desafio para os teólogos, médicos, cientistas e para todos os cristãos.
Campina Grande, 16 de março de 2009.
· Geógrafo, Teólogo e Professor.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

QUARESMA, TEMPO DE MUDAR DE VIDA!

QUARESMA – EIS O TEMPO DE CONVERSÃO
* Eraldo Amorim

Desde o século II os cristãos celebram a Quaresma praticando o jejum, abstinência e períodos intensos de oração, tendo em vista a celebração da Páscoa. Na sua evolução histórica, a Quaresma, do latim “Quadragésima”, era o tempo litúrgico em que os fiéis se reconciliavam com a Igreja, ou seja, eram readmitidos na comunidade cristã e também se preparavam para receber o sacramento do Batismo. Os catecúmenos, provenientes do paganismo ou do judaísmo, faziam a sua preparação com atitudes que demonstravam adesão ao cristianismo.
Eram quarenta dias de jejum, exceto os domingos. No período quaresmal aos catecúmenos era exigido um permanente estado de renúncia e de adesão ao Cristo, professando a fé diante do Bispo e da comunidade reunida. A celebração do sacramento do Batismo ocorria na noite do Sábado Santo, quando podiam ser chamados de “fiéis”. Era, portanto, a pedagogia que passou a ser utilizada a partir do século IV, como forma de aceitação criteriosa dos novos cristãos.
De acordo com o antigo costume, o jejum consistia em apenas uma refeição diária, ao cair da tarde. Acrescentou-se, depois, a abstinência de carne e vinho, e em algumas regiões também a abstinência dos chamados lacticínios (leite, manteiga e ovos). Hoje, o exercício espiritual do jejum no tempo da Quaresma se resume apenas em dois dias, a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão. Além do jejum, este tempo litúrgico nos propõe a esmola e a oração, como virtudes a serem exercitadas.
A Quaresma nos prepara para a grande festa da Páscoa. Faz referência aos quarenta dias em que Jesus jejuou no deserto depois do batismo no Jordão (Mt 4, 2; Lc 4, 1s). Faz alusão também aos quarenta dias em que Moisés jejuou no monte Sinai (Ex 34, 28) e o profeta Elias caminhou em direção ao monte Horeb (1 Rs 19, 8), e a caminhada do povo de Deus no deserto após a libertação no Egito.
Segundo o Catecismo da Igreja: “A tentação de Jesus manifesta a maneira que o Filho de Deus tem de ser Messias – o oposto da que lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-lhe. É por isso que Cristo venceu o Tentador por nós: ‘Pois não temos um sumo sacerdote incapaz de comparecer-se de nossas fraquezas, pois Ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado’ (Hb 4, 15). A Igreja se une a cada ano, mediante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao mistério de Jesus no deserto” (§ 540). Sendo assim, a Quaresma nos revela que mediante a obediência de Jesus no deserto nos tornamos fortes a superar as tentações do tempo presente, desde que estejamos dispostos a reconhecer as nossas fraquezas e buscar a conversão.
Assim nos adverte o apóstolo Paulo: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2 Cor 6, 2). Pois bem, a Quaresma é mais uma oportunidade de rever as nossas atitudes, as nossas concepções de mundo e de pensamento. Deus nos dá a chance de conversão, de mudança de vida, assim como é pregado no Evangelho: metanoia (Mc 1, 15).
“Revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4, 24). Entretanto, não é fácil mudar de vida, romper com as estruturas de pecado e de morte. Este tempo litúrgico, extremamente catequético, nos leva ao calvário, ao sofrimento e a entrega de si mesmo, deixando morrer em nós toda prepotência e fazendo renascer um novo ser humano. A cruz, tão reverenciada neste período, nos ensina a não apenas enxergar o Cristo glorioso, mas a contemplar e a viver o mistério da dor como forma de se chegar ao paraíso.
É no exercício quaresmal que aprendemos a abrir o coração, a quebrar o orgulho, a vaidade e a compreender que nesta vida tudo termina em pó, e que o que permanece são as nossas boas obras de justiça, amor e perdão. Embora a conversão, enquanto mudança de vida, não ocorra cem por cento, a quaresma suscita em nós um desejo de mudança, é exercício em busca do aperfeiçoamento espiritual, conseqüentemente, uma maneira nova de viver, de agir e de tratar o próximo. Como bem nos afirma a Ir. Yone Buyst, “quaresma é tempo de retomar o caminho do Evangelho, tempo de renovação, de ‘morte ao pecado’, para que possamos ressurgir para uma vida nova com Cristo na sua Páscoa. Quaresma requer sobriedade, não é tristeza, é despojamento, ares de deserto”.
Aqui vão alguns lembretes de como devemos viver este tempo. Em clima de retiro espiritual, nas celebrações não cantamos o Glória e nem o Aleluia; a brandura dos instrumentos nos convida a reflexão silenciosa; as flores não enfeitam o presbitério, pelo menos neste período; a cor roxa é sinal de sobriedade e recolhimento; a Via Sacra nos faz repensar sobre o valor da vida e do amor de Cristo na cruz; a aspersão no Ato Penitencial renova em nós os compromissos batismais e a Campanha da Fraternidade é uma provocação pessoal e comunitária sobre as nossas contradições e injustiças que abalam os céus e provocam a crucifixão de milhares de seres humanos ainda hoje.
Vivamos a quaresma de maneira intensa, cultivando os aspectos da vida comunitária e cristã sob a perspectiva da grande Vigília (Sábado Santo), onde, naquela madrugada, o túmulo vazio sinalizou para todos nós o inicio de um novo tempo. Renovando os nossos compromissos batismais, aspergidos com água que jorra para a vida eterna, sejamos cada vez mais anunciadores e promotores de uma sociedade mais justa, onde a cultura de morte não tenha vez e nem voz.

A todos uma feliz Quaresma!

Campina Grande, 18 de fevereiro de 2009.
* Geógrafo, Teólogo e Professor.

FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA

CF 2009 – “A Paz é fruto da Justiça” (Is 32, 17).
* Eraldo Amorim.

Desde 1964 a CNBB lança no Brasil a Campanha da Fraternidade que sempre acontece de maneira intensa durante o período quaresmal. É, verdadeiramente, um tempo litúrgico propício a uma reflexão sobre a nossa maneira de agir, a buscarmos conversão tanto no nível pessoal quanto comunitário.
A Campanha da Fraternidade é apenas um caminho que a Igreja oferece para refletirmos sobre os problemas sociais existentes em nosso país. Na realidade, a CF extrapola os limites da Igreja, ou seja, vai além de suas fronteiras e atinge os mais diversos segmentos da sociedade. A CF não pertence à Igreja em si, é uma Campanha que deve ser abraçada por todos aqueles que sonham com uma sociedade melhor, mais justa, humana e fraterna.
E este ano, a CNBB escolheu um tema muito pertinente e que nos preocupa a todos. Com o tema: “Fraternidade e Segurança Pública” e lema: “A Paz é fruto da Justiça” (Is 32, 17), a CF, de maneira profética, nos interpela, nos incomoda e nos chama a lutar por uma cultura de paz em favor da vida e da dignidade humana tão almejada em nossa sociedade. Diz o texto base da CF 2009: “O objetivo geral da Campanha da Fraternidade 2009 é suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos” (Texto Base).
Entretanto, são muitos os motivos para levarmos adiante esta Campanha e não cruzarmos os braços diante da violência, da falta de compromisso do Estado, da ausência (ou omissão) da maioria dos cidadãos nas discussões sobre o tema e da desvalorização da vida e da dignidade humana. Diz a Constituição Brasileira que ”A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio (Art. 144)”, portanto, é função primordial do Estado Brasileiro zelar pela ordem pública, defender e proteger a vida das pessoas e manter a sociedade em plena ordem. Porém, não estamos isentos de fazermos com que a segurança e a paz reinem em nosso convívio.
Mas o que é mesmo a Paz? Com certeza não é simplesmente a ausência de guerras ou conflitos declarados, muito menos um descanso silencioso que não nos incomoda, um clima brando e suave que nos deixa anestesiados e passivos. A Paz, aquela mesma que Jesus veio nos deixar (Jo 14, 27), nos incomoda, nos impulsiona a lutar por justiça, cria em nós um desejo ardente de denunciar as arbitrariedades contra a vida, nos faz falar e não calar diante das autoridades impulsivas por corrupção, diante da fome e da miséria de muitos, da falta de moradia digna e de saúde. A Paz verdadeira só irá reinar quando todos puderem desfrutar de saúde e qualidade de vida, meios de transporte descente, acesso a emprego e seus direitos respeitados, quando os conflitos sociais deixarem de existir.
A Paz é inquieta, como canta PE. Zezinho. É utopia? Pode ser, mas é um desejo que está no coração de Deus, que o Homem a promova. Não ajudaremos em nada se ficarmos calados, extasiados, olhando, como que platéia distraída, milhares de jovens sem perspectiva entrarem no mundo da criminalidade e morrerem assassinados antes de completarem 20 anos de idade; famílias destruídas por culpa do narcotráfico; presídios superlotados (verdadeiros depósitos humanos), palcos de constantes rebeliões e sem a mínima condição de sobrevivência.
Hoje é impossível não sentirmos medo ao sairmos à noite. Mesmo naqueles momentos em família não podemos deixar a porta da casa aberta, ou pararmos em semáforos durante o dia. Os assaltos, os seqüestros, os estupros, o crime organizado, a violência doméstica, os abusos de poder por parte de alguns policiais, o mau preparo dos agentes da policia, bem como o surgimento de milícias e de grupos de extermínio que atentam contra os Direitos Humanos, nos colocam em clima de total insegurança.
Culpa de quem afinal? Bem sabemos que o Estado tem grande parcela de culpa, pois não cumpre com o seu papel de principal agente responsável pela segurança, deixando a sociedade a mercê daqueles que fizeram do crime seu meio de sobrevivência. Não basta apenas aos policiais dar boa remuneração, construir presídios, diminuir a maioridade penal, investir em aparatos de segurança que diminuam a criminalidade, ou ter leis penais rígidas; é preciso antes de tudo por fim a esta sensação de impunidade que assola o nosso país, a começar por aqueles que detêm o poder e o dinheiro.
É necessário admitir que as instituições policiais (civil, militar, federal) não estão unidas no combate aos mais diversos tipos de crime. Infelizmente o que temos visto é a concepção de uma policia repressiva, autoritária e violenta, e que ao mesmo tempo em que combate a criminalidade, permite que alguns policiais se infiltrem no mundo da marginalidade, facilitando o tráfico de drogas e de armas e recebendo propinas.

“É preciso agir com competência e discernimento à luz de critérios evangélicos. Além disso, todos devem estar atentos a tudo o que forma consciências violentas” (Texto Base). Faz-se urgente a construção de um projeto de prevenção ao crime, ou melhor, que tenhamos um trabalho comunitário efetivo em áreas onde o crime mais se faz presente. Que a policia não nos cause medo, mas que penetre nas comunidades levando segurança em forma de conscientização. Que as autoridades levem a sério aquilo que dizem os especialistas em Segurança Pública.
A educação é uma forte aliada no combate ao crime. Mas assim como os policiais, não se pode simplesmente aumentar os salários dos professores (reivindicação justa), sem um projeto de ação que envolva a família, os meios de comunicação, a arte e a cultura; é preciso envolver a própria sociedade, favorecer uma melhor distribuição de renda, cultivar valores hoje esquecidos, e, acima de tudo, escutar a voz da solidariedade, não favorecendo a vingança e o ódio. Só assim a Paz verdadeiramente reinará.
Os cristãos devem expressar esse desejo de Paz a partir das suas próprias ações dentro da comunidade. De nada adianta pregar o amor sem vivê-lo de fato dentro da Igreja. Baixemos as armas do egoísmo, da vaidade, da competição e do consumismo. Façamos desta Campanha um momento, não apenas de reflexão, mas de propostas para todos, juntos, ajudarmos os governos, Ong´s, instituições religiosas, enfim, toda a sociedade a buscar alternativas que, pelo menos, amenizem o índice de violência, e que tenhamos a coragem de enfrentar as suas causas e não apenas os seus efeitos.
Que o Senhor derrame sobre todos nós, a sua copiosa bênção redentora, e que tenhamos a graça de termos o dom profético de anunciar a Paz, falando sempre a verdade, sem medo, mostrando que é possível viver com dignidade, assim como fez o profeta Isaias. “No deserto habitará o direito, e a justiça habitará o jardim. O fruto da justiça será a paz. De fato, o trabalho da justiça resultará em tranqüilidade e segurança permanentes” (Is 32, 16 – 17).

Campina Grande, 17 de Fevereiro de 2009.

* Geógrafo, Teólogo e Professor.